sexta-feira, setembro 15, 2006

Como será que é morrer?

Eu não penso em descobrir isso tão cedo, rs. Ontem eu estava lembrando e pensando. Lembrei-me da sensação horrível de tentar acordar após uma anestesia geral. Abre aspas: para quem não sabe, eu sofri uma cirurgia de emergência em 2003 mas nem vou entrar em detalhes porque é história pra mais de metro. Fecha aspas. Para quem já sabe, não preciso repetir.

Então, voltando ao assunto principal, é uma sensação difícil de explicar mas vou tentar. Eu nem sei porque mas ontem este assunto surgiu na minha cabeça. Fiquei pensando que a sensação de morte deve ser tão angustiante quando tentar acordar de uma anestesia. Talvez estar em coma deva ser assim também. Bem, isso é uma coisa que eu realmente não quero descobrir. Só estou divagando.

Foi assim: eu acordei entubada na UTI mas não sabia que estava entubada nem que estava na UTI. Só me lembrava que tinha ido pra cirurgia e da máscara de gás (anestesia). Então, fiquei assim um tempo que não sei qual entre acordada, dormindo e sonhando. Eu ouvia os médicos e enfermeiras o tempo todo em volta mas, como eu não sabia onde estava, pensava que estava num corredor. Alí tinha uma janela fechada e eu olhava pra ela pensando porque não me tiravam logo daquele "corredor". Então, apagava de novo. E isso se repetiu por muito tempo. Tempo bastante para me causar sofrimento.

Depois de um tempo, vi meu pai e minha irmã, Silvana. Aí a coisa piorou. Porque eu falava com eles mas eles não me ouviam. Um HORROR! E eu via a cara de preocupação deles e eu ótima, lúcida, gritando sem conseguir ser ouvida. Vocês não podem imaginar o que é isso. Mais tarde, ou mais cedo (a gente perde totalmente a noção de tempo) veio Dr. Jorge, meu médico, e eu já estava mais acordada de fato. Ele falava comigo, eu balançava a cabeça, as lágrimas escorriam pelo meu rosto involuntariamente e havia um nó na minha garganta que eu não conseguia desatar (que não era o tubo).

Eu tinha aqueles aparelhos em mim, controlando os sinais vitais, mas isso era o que menos me incomodava. Ao bem da verdade, nem o tubo me incomodava. Não era uma incômodo físico. TUDO o que eu queria era saber do meu filho. E eu tinha a nítida impressão que todo mundo estava mentindo pra mim, o que me deixava muito, mas muito mais angustiada.

Enfim, tiraram o tubo. Desta vez sim, doeu. Dor física, ânsia de vômito, frio, falta de ar, tremedeira, nervoso, ansiedade, suor gelado. Finalmente estava livre e podia ser ouvida. Os próximos 2 dias, eu acho (já perdi as contas), foram terríveis. Terríveis porque eu estava bem e só queria sair dali. Eu ouvia e via as pessoas sofrendo ao meu redor e eu alí, ótima, esperando a boa vontade de me tirarem daquela "geladeira".

O que mais me irritava alí era não saber se era dia ou noite (se você fica 1 dia, sente como se tivesse passado 1 semana) e o que acontecia do lado de fora. Meus peitos vazando leite, eu tomando banho de gato na cama (a propósito, devo dizer que esta foi a situação mais humilhante que já vivi e que não desejo à ninguém), as enfermeiras caridosas penteando meus cabelos deitava, a fisioterapia respiratória, minha mãe me dando sopa de colher e meu filho me esperando mas, até então, essa era uma certeza que eu não tinha, apesar das notícias que recebia. Gente, se existe coisa pior do que isso tudo (e eu sei que tem), eu quero passar beeeeemmmmm longe.

Agora, será que quando a gente morre é assim? A gente vê as pessoas chorando, sofrendo e ficamos gritando ser sermos ouvidas? Se for, eu espero que a passagem seja breve porque por mais rápida que seja, a angústia é muito profunda. E eu considero "angústia" uma palavra forte. Agora multipliquem isso quantas vezes forem possíveis.

Olha, eu não sou mórbida, nem nada. É só uma curiosidade que me veio à cabeça. Mesmo assim, não pretendo ter certeza nos próximos 100 anos. Ainda ficarei aqui um bom tempo, rsrsrs. E, mais, já tenho dois novos posts no cabeção. Falta tempo para colocar os dedos para trabalhar.

5 comentários:

thais disse...

ah, ufa. bem mais light do que eu pensei.

olha, não faço idéia do que seja isso que vc passou. nem quero saber.
o mais próximo disso que eu passei (e passo, às vezes) é quando eu vou desmaiar. que tudo fica meio embaralhado, distorcido. E lento. Incrivelmente lento. E eu tento fazer as coisas e o corpo não acompanha, a cabeça não consegue acompanhar.... ai credo.

Simone disse...

é parecido com desmaiar, só que potencializado. E, neste caso, o corpo não obedecia a cabeça, que estava totalmente lúcida. Quando a gente desmaia, sente o corpo "indo"

renata penna disse...

Vixe, Si... vc me fez lembrar de uma experiência q eu já tive. Não vou contar aqui pq a estória é comprida, mas entendo o q vc passou. Né mole não...

Anônimo disse...

Ai Simone, que pesadelo...
Olha, eu imagino a morte como um momento de absoluta libertação. E que se a gente percebe o que está acontecendo, a gente já não dá mais o valor que damos em vida.
Eu imagino que quando eu morrer, vou olhar praquele povo com cara de tristeza e vou pensar "puxa, se eles soubessem que delícia é morrer, não estavam com essa cara".
Beijos,
Ana Cris

Anônimo disse...

Si, eu lembro qdo aconteceu isso, maior preocupacao pra todo mundo q acompanhou...
Gracas a Deus nao teve maiores complicacoes e hj vcs dois estao aqui muito bem vivinhos!!