sexta-feira, junho 09, 2006

Não ter sapatos x não ter pés

Sabem aquela história do homem que reclamava que não tinha sapatos até que encontrou outro que não tinha pés? Algo parecido aconteceu comigo esta semana. Não que eu reclame do que tenho, pelo contrário, agradeço todos os dias por ter o que me basta. Mas, quando encontramos alguém que não tem o mínimo, o nosso pouco se transforma em muito.

Na igreja que eu freqüento todas as mulheres adultas pertencem à uma classe da escola dominical que se chama Sociedade de Socorro. Como o nome diz, o objetivo desta classe é prestar socorro e assistência umas às outras e a qualquer pessoa que necessite e que esteja ao nosso alcance. Estou explicando para vocês entederem o que aconteceu. Bem, as mulheres são divididas em duplas (chamadas professoras visitantes) e cada dupla tem a designação/responsabilidade pelo bem-estar (físico, emocional, espiritual, o que for) de outras 2 ou 3 mulheres. As professoras visitantes fazem 1 visita mensal (ou mais se necessário) às suas colegas. Toda mulher que tiver condições e DESEJO pode ser professora visitante e também pode ser visitada.

Eu e minha irmã, que é minha dupla, visitamos 3 mulheres. Uma delas, vou chamar de Fernanda para preservar sua identidade, é uma mulher muito necessitada. Muito mesmo. Não só de coisas materiais mas também de apoio emocional. Ela tem 1 filho de 10 anos e 1 bebê de 10 meses, que está com pneumonia. Ela engravidou desde menor apesar de ter tomado anticoncepcional e o namorido dela não quis assumir e desapareceu.

Sabe aquelas cenas que vemos na TV de um repórter abrir a geladeira na casa de alguém e só ter uma garrafa de água? Abrir o armário e encontrar uma lata de óleo e um lata com um pouco de feijão? Eu já vi isto na casa dela. Se é chocante na televisão, ao vivo é muito pior. E você não pode chorar porque está ali para dar apoio. Quando isto acontece a igreja providencia os alimentos para a pessoa.

Mas, o objetivo não é apenas dar o peixe e sim ensiná-la a pescar. Todos devemos providenciar maneiras de sermos auto-suficientes. A igreja promove cursos, com profissionais capacitados, com o objetivo de capacitar as pessoas que, sem ajuda, não teriam condições de se capacitar. Além disso, existe um fundo perpétuo de educação que concede bolsas em qualquer universidade para os membros até 30 anos, que se encaixarem nos pré-requisitos. Não é propaganda, estou explicando quais opções são oferecidas para "ensinar a pescar".

Voltando a irmã, como ela tem filho pequeno e não conseguiu creche até o momento, estamos procurando alternativas (tipo: roupa pra passar, olhar criança, limpar a casa de alguém). Qualquer serviço que ela possa realizar.

Esta semana à noite, quando fui visitá-la (de alguma forma, eu sabia que tinha que ir naquele dia) o bebê estava precisando de um antibiótico pois o dele estava acabando. A casa dela, com poucas condições (chão de cimento, janela quebrada, umidade, gato de luz) estava toda bagunçada e ela nao parava de pedir desculpa e pra não reparar. Ela não tinha conseguido fazer nada pq estava cuidando do bebê. Nós dissemos para ela não se preocupar e pedimos licença pra fazer o serviço.

Ela não sabia como agradecer mas, no fim, eu disse à ela que nós é que deveríamos lhe agradecer pela lição que ela nós deu e pela oportunidade de podermos ajudá-la. É um grande privilégio alguém permitir que a gente ajude. Saí de lá tão pequenininha e, ao mesmo tempo, bem maior. Maior por saber que tenho saúde, meu filho também, e que tenho com quem contar quando preciso e por ter a oportunidade de servir. Eu não tenho grandes problemas mas quando aliviamos o fardo alheio o nosso também se torna mais leve.

Obrigada Fernanda!

2 comentários:

thais disse...

Ah, que legal, sua igreja, Si!!!

Super legal, mesmo.
Sabe que eu tenho vontade de fazer umas coisas assim, de ajudar?

Vc é o meu super ídolo, viu?

beijo

Simone disse...

Thá, a única coisa que vc precisa pra ajudar é vontade, daí a oportunidade aparece. Ajudar nem sempre é dar alguma coisa material, ou fazer um serviço. Quer ver como vc já ajuda: você pode dar uma palavra amiga para qualquer pessoa e ser justamente o que ela estava precisando ouvir naquele momento, mesmo que conscientemente vc não saiba. Uma frase pode ser um passo enorme na vida de alguém. às vezes, um telefonema pode fazer toda diferença. Viu? é simples. As outras duas que visitamos, geralmente, só deixamos uma mensagem. Qdo eu me separei, minha professoras visitantes me ajudaram muito com palavras, com carinho e, principalmente, só me ouvindo. Muitas vezes alguém pode só querer ser ouvido. Simples assim. Não precisa muito e não é nenhum ato heróico não. Comece a observar e vc vai ver o quanto já ajuda alguém ao seu redor . o que pode parecer pouco pra vc que ajuda, pode ser tudo para quem recebe. bjs